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Laca cinnabar, ou cinábrio se preferir, é uma laca chinesa de um lindo e intenso vermelho. É uma seiva extraída de uma árvore encontrada na China, Japão e outros países asiáticos, embora hoje bastante rara. 

O processo para sua aplicação se dá através de inúmeras camadas bem finas e sobrepostas, no mínimo 50. Em algumas peças, essas sobreposições podem utilizar até mais de 100 camadas. Vale aqui ressaltar que a secagem entre uma camada e outra pode levar dias. Após todo esse processo, sua rígida superfície é meticulosamente esculpida de forma totalmente artesanal. Não é à toa que é um povo também conhecido por sua admirável paciência! Esse trabalho teve origem na China, durante a Dinastia Tang (ápice no século 8), considerada a era de ouro da cultura chinesa. Porém, alguns séculos depois, já no 14 , foi desenvolvida no Japão uma nova técnica, bem mais rápida e menos trabalhosa para utilizar a laca cinnabar. Passaram a esculpir primeiro a madeira, material bem mais agradável e macio, e depois revestir essa mesma madeira, já entalhada, com uma espessa camada da laca. Um resultado perfeito!

Hoje já encontramos facilmente no mercado réplicas muito bem feitas de laca cinnabar, confeccionadas em resinas e plásticos. Algumas tão perfeitas que somente um olhar mais atento e com uma lupa para encontrar as diferenças. A laca cinnabar verdadeira é trabalhada em camadas que, se olhadas detalhadamente na região esculpida, dá para se observar a composição das mesmas, coisa que no plástico ou na resina não acontece, ficando uma superfície uniforme e sem as marcas das camadas. Como também na laca cinnabar verdadeira não existe a presença de bolhas, enquanto no plástico ou na resina, mesmo que de forma bastante sutil, isso pode ser observado.

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A laca verdadeira foi fartamente utilizada para revestir tigelas, pratos, pentes, vasos e outros objetos bem variados, transformando peças simples em verdadeiras obras de arte. Mas hoje é bem pouco utilizada em função da escassez da matéria prima, no caso, a árvore da laca (Rhus Verniciflua). Os templos budistas no Japão até hoje preservam muitas peças feitas com esse material, que são utilizadas em suas cerimônias religiosas. Aliás, vale aqui relembrar que o Japão importou da China a arte de trabalhar a laca cinnabar.

Já o minério cinnabar (ou cinábrio),  com o mesmo nome e igual coloração, nada tem a ver com a seiva das árvores asiáticas, apenas emprestou o seu nome à laca em funcão da coloração. Trata-se de um material que pode conter concentrações de mercúrio líquido, onde somente o seu o contato com o calor do corpo humano já seria suficiente para exalar substâncias bastante nocivas à saúde, quando absorvidas pela pele.

Para modelar a sua “imitação” na cerâmica plástica, apenas procurei dar o efeito de textura e de cor, algo extremamente simples e fácil de ser feito, com resultados bonitos, mas  sem  a menor pretensão de se fazer passar pela nobre laca chinesa. E sim com formas e a apaixonante energia do vermelho que, por sinal, é minha cor favorita. Então nem preciso dizer que amei os resultados, não é mesmo?

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em meados de 2008. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em meados de 2008.

Em função do coronavirus, temporariamente as vendas presenciais (Vila Mariana/São Paulo) serão somente para retirada na portaria, pessoalmente ou motoboy. Para outras localidades, o valor do frete será acrescido de taxa do motoboy que levará sua encomenda os Correios.

Também durante este período disponibilizarei aulas somente na modalidade online, que são feitas ao vivo, pelo skype.

Grata pela compreensão, a hora agora é de esforço máximo na prevenção e cuidados para com todos.  Fiquem bem! 

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Amigo leitor, esta é a peça que ensinarei em minha participação no simpósio e que você poderá assistir gratuitamente amanhã, 07/fevereiro, a partir das 13 horas (horário no Brasil). Mas serão 20 oficinas no total e você também poderá comprar o pacote completo para assistir depois quando e sempre que desejar, inclusive com opção de legendas em português. O simpósio já começou hoje, clique aqui e corre lá pra ver!
#PCS2020

 Amigos do polímero, é com enorme satisfação que quero contar em primeira mão que faço parte de um simpósio de polymer clay direto dos EUA, que acontecerá de 7 a 15 de fevereiro/2020. Aqui tem link para maiores informações. Somos em 30 artistas de vários países trazendo técnicas variadas para você. Para assistir direto online será gratuito, ficando no ar por 24 horas, mas com opção de comprar o pacote completo do workshop.
Entre no link que tem muito mais informações, tenho certeza de que você não vai querer perder! 😁

https://ty104.isrefer.com/go/pcs2020/BeatrizCominatto

Desde a pré-história o homem utiliza como adorno uma resina natural muito dura, formada há 50 milhões de anos, chamada âmbar. Foi também a primeira gema utilizada por ele, onde em sítios arqueológicos foram encontrados objetos decorativos, talismãs e amuletos feitos com esse material.

É uma resina fóssil, liberada em forma de secreção por uma espécie de pinheiro que já não mais existe. Essa secreção funcionava como uma proteção natural à sua madeira, protegendo-a de ataques de pequenos insetos e bactérias. Com consistência de cera dura, pouco flexível, semi-transparente, mas podendo variar entre menor e maior escala nessa transparência, sua coloração também oscila do amarelo claro ao marrom escuro, chegando ao avermelhado, alaranjado, ou mesmo esverdeado, azulado ou branco. Em seu interior algumas bolhas de ar podem estar presentes, isso também colabora na composição e intensidade de suas cores. O âmbar é encontrado com maior freqüência na antiga Prússia Oriental, ao longo do litoral do mar Báltico. Também em menor quantidade pode ser encontrado na França, Itália, Estados Unidos, Canadá,  República Dominicana, além de alguns outros países. Ele também pode ser de mina ou de mar.

Uma de suas principais características é poder encontrar aprisionados em seu interior pequenos fósseis de insetos (mais de 1000 espécies diferentes já foram catalogadas), a maioria já extinta, e também fragmentos de flores, folhas, sementes, pelos e dentes de animais, que ficaram presos na resina ainda pegajosa, antes desta se solidificar ao perder água e ar com a ação do tempo. Até mesmo lagartos, rãs e sapos fossilizados podem ser encontrados. Muitos desses  pequenos corpos estranhos aumentam em muito o seu valor, principalmente quando de espécies mais raras ou mesmo extintas. O âmbar encontrado na República Dominicana é o que apresenta um maior número de fósseis incrustados em seu interior. 

Quando friccionado ele produz uma grande eletricidade estática, atraindo para si algumas substâncias leves, como algodão, palha, papel picado, etc. Foi através do âmbar, ainda no século VI a.C, que se observou a primeira experiência de atração eletrostática.

Quando aquecido ele produz um agradável aroma de madeira de pinho, essa é uma das formas de saber se é verdadeiro ou falso. Uma outra maneira é colocá-lo na água salinizada, onde o verdadeiro âmbar flutuará.

Algumas propriedades terapêuticas e místicas também lhe são atribuídas, como  a de absorver energia negativa do corpo ao ser colocado sobre partes em desequilíbrio ou dor. Na Europa é utilizado também para afastar o mau-olhado. No Tibet está associado ao equilíbrio interior e à busca da perfeição.

Artistas e joalheiros utilizam essa resina de grande beleza em suas criações, mas geólogos e paleontólogos são atraídos pelas riquíssimas formas de vidas pré-históricas contidas em seu interior por milhões de anos.

Mas não pense que aí termina sua importância científica. Isso é apenas o começo, já que geneticistas, biólogos, químicos, arqueólogos, botânicos e zoólogos,  encontram nesse material uma importante, rica, fascinante e interminável fonte para suas pesquisas. Até mesmo estudos para a recuperação de DNA estão sendo feitos (isso nos lembra, embora um tanto exagerado na ficção, o filme “Parque dos Dinossauros”).

Voltando ao nosso material, mais uma vez a cerâmica plástica também pode nos proporcionar resultados encantadores ao ser utilizada na busca da aparência externa desta gema. Para isso utilizamos a massa o mais translúcida possível, até mesmo mais de um tipo ou tonalidade, mas sem deixar formar uma mistura homogênea, esse efeito desigual é o que mais buscamos. Não é um processo muito complicado, podem apostar, apenas um pouco trabalhoso. Embora eu tenha encontrado formas diferentes de chegar ao falso âmbar, os resultados que mais gostei aqui apresento, onde tintas transparentes de várias tonalidades foram utilizadas no tingimento da massa. Depois, através de uma seringa com agulha, tonalidades mais escuras da tinta foram injetadas em seu interior em alguns sulcos que delicadamente abri na massa descansada, lembrando vasos capilares. Somente depois da secagem absoluta da tinta finalizei as contas e levei-as ao forno para a cura, por um tempo bem maior que o indicado, para intensificar sua transparência. O lixamento e polimento perfeito é indispensável,  como também o verniz, aplicado em diversas camadas, contribuindo para um acabamento mais vitrificado.

Espero que tenham gostado da técnica e de saberem um pouquinho mais sobre essa fascinante gema.

Abraços, e até a próxima matéria!

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em 2004. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em 2004.

(Matéria escrita por mim e postada no Portal das Jóias exatamente no dia 14 de outubro de 2010. Hoje, também 14 de outubro, resolvi revê-la e só então percebi a coincidência de datas.)

Fugindo um pouco ao estilo habitual do meu trabalho, resolvi este mês apresentar algumas peças que fiz somente com modelagem de flores em cerâmica plástica. Talvez inspiradas nesta primavera que, mesmo ainda com alguns dias frios lembrando um inverno que teima em não nos deixar, tem trazido um colorido sempre exuberante a esta São Paulo que amo. 

A modelagem permite formas e cores das mais variadas, possibilitando-nos ir ao encontro do espírito da estação, trazendo aos acessórios um pouco dessa alegre magia.

Aqui apresento peças simples que fiz, mas um trabalho sempre agradável ao toque e ao olhar na hora de compor cada detalhe. 

Costumo dizer que a arte da modelagem é a percepção mais apurada do tato, de se criar pequenas formas e poder senti-las, de uma forma bastante especial, com as pontas dos dedos. No caso das flores, uma delicadeza de toque e resultados ainda maiores. Uma peça de flor é sempre uma poesia, mesmo que sem palavras.

“No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.”

(Cecília Meireles)

Seja você a borboleta!

Abraços, e até a próxima matéria.

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em 2010. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em 2010, exceto o coração vermelho que fiz em 2013 no programa de TV Vida Melhor, em homenagem aos dias das mães.

Hoje, 18 de maio de 2019, noite de lua cheia, lembrei-me desta antiga matéria que escrevi para o Portal das Jóias. Dando sequência ao resgate delas, resolvi ser esta a matéria da vez.

Segue na íntegra, ressaltando que foi escrita em 2005:

Este mês quero apresentar a vocês um novo material que estou agregando ao meu trabalho em cerâmica plástica, que é a argila de metal. Nas matérias que escrevi até hoje sempre frisei minha paixão pela modelagem, onde sentimos no tato e na delicadeza dos dedos o prazer da tridimensionalidade das pequenas formas livres que criamos.

Há um certo tempo que eu lia em sites e livros de outros países, artigos sobre uma massinha fabricada no Japão que, após a queima, transformava-se em uma linda jóia modelada em prata 1000 e ouro 22K. Parecia algo mágico, até mesmo difícil de acreditar.

Finalmente quase no término do ano passado (2004), para minha alegria, esse produto aqui chegou. Mais do que depressa corri para uma primeira aula, onde finalmente tive meu contato com esse novo produto. Posso dizer a vocês que achei surpreendente sair dessa aula com as primeiras jóias em prata feitas por mim.

Mas eu quis aprofundar meu aprendizado e logo me inscrevi para fazer um longo curso de certificação, onde durante 56 horas em período integral, aprendemos diversas técnicas dessa inusitada forma de trabalharmos a joalheria artesanal. A emoção foi enorme, tanto por ser a primeira turma no Brasil a certificar-se, como por estar lado a lado com meus colegas de curso, renomados joalheiros e verdadeiros mestres nessa no Brasil. Senti-me muito honrada em fazer parte dessa turma tão especial.

A Art Clay Silver e a Art Clay Gold são metais transformados em um pó extremamente fino, misturados a um agregado orgânico atóxico e água. Modelamos manualmente, secamos (nesta etapa assemelha-se a um delicado gesso seco), e é também nesta etapa onde passamos o maior tempo de trabalho, esculpindo detalhes e dando acabamento com limas, lixas finas e pequenas ferramentas. Depois vem a queima que, no caso desta massa de prata, podemos fazer de diferentes formas: na chama do fogão caseiro (sobre uma tela de aço), com o maçarico, ou em forno de alta temperatura (de 650 a 850°C). Após esse processo temos uma peça de prata com 99,9% de pureza. Na queima do ouro o forno é indispensável e a temperatura é mais alta (999°C). Após esse procedimento, é só dar o polimento adequado e bem caprichado e sua jóia está pronta!

Desde o início pensei em unir essas duas formas de modelagem, a do metal precioso com a cerâmica plástica, e considerei um casamento perfeito. É o metal nobre valorizando a massa plástica, esta que, por sua vez, já prima por todo o potencial artístico e criativo de suas muitas possibilidades técnicas e cores.

As peças que fiz e aqui apresento foram todas modeladas em Art Clay Silver e cerâmica plástica (técnica imitação de Opala). Fazem parte da coleção que denominei Luas de Maio, e que foram apresentadas depois à Art Clay do Brasil como meu trabalho de conclusão de curso, servindo como avaliação para eu tornar-me instrutora sênior certificada.

Em outra matéria escreverei sobre a imitação de opala em cerâmica plástica.

Até!

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em 2005. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em 2005.

A ágata musgo (também conhecida como ágata musgosa ou moss) é uma curiosa gema encontrada geralmente associada ao granito e rochas calcárias, formada a partir de dióxido de silício ou sílica.

Tem como característica principal a presença de filamentos em seu interior com um interessante aspecto de musgo. Mas não são musgos de verdade, pois ela não tem qualquer matéria orgânica em seu interior, e sim filamentos  compostos de minerais, como óxidos de manganês ou ferro, encaixados entre os grãos de calcedônia, proporcionando esse aspecto de crescimento de musgos.

 

Sua coloração também poderá variar de acordo com a quantidade de impurezas em seu interior, como o ferro e o cromo. A maioria possui fundo fosco branco leitoso ou transparente, embora também seja encontrada em outras colorações puxando mais para o castanho ou avermelhado. A variedade mocha, por exemplo, é mais escura.

A ágata musgo é encontrada em diversas partes do mundo, principalmente no Brasil, EUA, Índia e Europa, e a maioria tem origem em rochas vulcânicas.

 

Foi muito utilizada como adorno pelos gregos há mais de 3.000 a.C. É também considerada a mais poderosa das ágatas, conhecida como a ágata dos guerreiros. Há muitos séculos usada como amuleto de sorte, também pelos agricultores, que a utilizavam presa ao corpo ou amarrada ao chifre do boi do arado, como forma de garantir fartura na colheita.

 

Em sua imitação com cerâmica plástica – sempre uma divertida e interessante forma de trabalhar com a massa – busquei o efeito mais acastanhado da pedra (mocha). Sempre trabalhando com a massa translúcida branca, mas colorindo irregularmente com pigmentos em pó metalizados em tonalidades variadas, salpicada de massas escuras bem fracionadas entre as finas camadas da modelagem. A quantidade disso tudo é que dará o tom mais claro ou escuro à sua peça. Eu poderia ter deixado mais claro, mas procurei escurecer proporcionando um efeito interessante e um pouco metalizado. Tudo finalizado com muita lixa, polimento e verniz específico para cerâmica plástica.

Abraços e até a próxima matéria!

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em 2011. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em 2011.