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Archive for março \20\UTC 2011

Sei que o assunto já foi desgastantemente debatido esta semana por toda a mídia. Mas não dá para ficar em silêncio ao levantar o tapete e ver o que se esconde embaixo.

Utilizando essa mesma Lei Rouanet, outros artistas BEM SUCEDIDOS também se beneficiaram. Lei esta que, MORALMENTE, deveria ser aplicada somente em casos cujos benefícios fossem convertidos também em benefícios culturais à população. Mas não é o que vem acontecendo.

Bethânia apenas amargou o azar de cair na mídia com seu benefício próprio e a coisa toda veio a tona, mas não foi a única e nem a primeira a se utilizar disso. Seu irmão Caetano também foi beneficiado pela mesma lei em 2007, com benefício de 1,7 milhão arrecadados para (pasmem) divulgar seu novo CD, com uma série de shows (com ingressos pagos, claro).

Em 2006, a própria Bethânia já havia captado e se beneficiado com recursos obtidos através dessa mesma lei, para uma turnê de shows (com ingressos pagos também), num total de captação de 1,8 milhão.

Ivete Sangalo também não fez por menos, aliás, fez por mais… pois se beneficiou da mesma lei para captar nada menos que um pouco mais que 1.950.000.00, isso mesmo, quase 2 milhões de reais para fazer 6 shows (pagos) em algumas capitais do Brasil. Isso porque é a artista que mais lucra atualmente no país.

Gilberto Gil também se beneficiou de quase meio milhão para produzir um DVD contando sua tragetória (será que culturalmente alguém conseguiria viver sem isso?).

Vanessa da Mata também se beneficiou com uma mãozinha de 900 mil para produção de um DVD.  O caríssimo Cirque du Soleil, com ingressos a quase 500 reais, também encontrou seu lugarzinho ao sol, enquanto exposições maravilhosas como “Leonardo da Vinci” e  “Corpo Humano”, tentaram e nada conseguiram. Deu pra perceber que de “democracia cultural” essa lei, da forma como funciona, nada tem, não é?

E por aí vai… Uma lei que tornou-se imoral por meter a mão no bolso da população, utilizando recursos que seriam da União na arrecadação de impostos.

Citei apenas alguns casos, entre tantos outros.

Nenhum desses casos que citei acima referiu-se a algum artista necessitado que não tivesse condições de bancar seu próprio projeto, muito pelo contrário. Todos também tiveram fins lucrativos PARTICULARES, sem nenhum benefício revertido à população. Digo revertido pois, se a UNIÃO pagou por eles, pela lógica deveriam ser gratuitos, já que foi o dinheiro dos impostos que TODOS NÓS PAGAMOS QUE CUSTEOU ESSA BANDALHEIRA TODA.

Mas o problema todo está na própria Lei Rouanet que não especifica regras, dá abertura aos espertalhões, e isso abre portas (e bolsos) para abusos – INFELIZMENTE LEGAIS – embora imorais sob muitos pontos de vista, para que continuem acontecendo.

Acho que está mais do que na hora do Ministério da Cultura rever essas normas todas e ditar regras severas e explícitas que regulamentem isso de forma mais ética,  justa e sem distorções.

Nada contra a Lei Rouanet, muito pelo contrário, ELA TEM QUE EXISTIR, apenas fico indignada com a forma deturpada e tendenciosa como vem sendo aplicada, beneficiando artistas bem sucedidos que não necessitam desse auxílio, mas que o conseguem justamente pelo nome e influência que têm, recheando ainda mais suas já polpudas contas bancárias. Com isso, quantos projetos realmente culturais e interessantes, voltados à população, mas absolutamente sem verbas, encalham num canto qualquer do Ministério da Cultura sem conseguirem aprovação e auxílio algum da Lei Rouanet.

Enquanto isso continuaremos pagando de nossos bolsos a produção de shows, turnês, dvds, blogs e afins de Ivetes, Vanessas,  Caetanos, Gilbertos e quantas Bethânias mais?

Creio estar mais do que na hora de darmos um basta em tudo isso exigindo que TIREM A MÃO DO NOSSO BOLSO!


Nota posterior: Isso sem comentar casos mais escusos, como do ator e pseudo diretor Guilherme Fontes, do imaginário filme “Chatô, o Rei do Brasil”, que nunca foi concluído nem lançado e teve verbas desviadas. Valor arrecadado? Somente 15 MILHÕES DE DÓLARES, valor que daria para produzir 10 longa-metragens de orçamento médio no Brasil. Com dinheiro de quem? Com dinheiro meu, seu, de todos nós!

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