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Archive for janeiro \25\+00:00 2019


Em continuidade à minha matéria anterior, onde escrevi sobre o cobre e sua imitação em cerâmica plástica, hoje escrevo mais um pouquinho, desta vez sobre o bronze, metal que foi de suma importância para o desenvolvimento de todas as culturas do planeta.

Com o domínio do fogo, o homem passou a desenvolver a metalurgia, mesmo que ainda de forma rudimentar, o que fez com que chegasse à técnicas de purificação de metais e suas diversas ligas (liga metálica é a fusão de dois ou mais metais entre si).

É chamada de bronze toda liga que leva o cobre e o estanho como base em sua composição, aliados a outros elementos, em proporções variáveis, como o zinco, níquel, chumbo, alumínio, antimônio, fósforo, etc. Também foi utilizada liga com o arsênio em lugar do estanho, mas, por tratar-se de um elemento venenoso com sérias consequências para o homem, acabou tornando-se obsoleto e a liga com o estanho tomou o seu lugar definitivamente.

O bronze veio justamente suprir a baixa resistência do cobre puro, já que é uma liga de maior dureza, mas sem perder sua ductilidade e maleabilidade, o que faz com que, mesmo sendo muito mais resistente, também seja apto a ter sua forma alterada, modelada e trabalhada sem romper-se. Essas características foram primordiais para seu uso com sucesso em ferramentas, armas, armaduras, ornamentos, utensílios, medalhas, sinos, estátuas, esculturas, e em muitas outras aplicações. Também vale citar suas propriedades acústicas, sendo muito bem utilizado em bocais de trompetes, saxofones, trombones e outros instrumentos de sopro, além da excelente acústica dos sinos, que já citei acima.

Sua coloração irá variar conforme a liga utilizada em sua composição. É um metal de fácil manuseio e polimento, o que lhe proporciona um aspecto até amarelo ouro e muito bonito. É um metal de baixa corrosão, e seu ponto de fusão se dá entre 900 e 1000°C.

O desenvolvimento da liga de bronze originou-se por volta de 4000 a.C (existe uma grande variação de datas conforme a adoção do bronze em diferentes culturas), substituindo assim a Idade do Cobre (período calcolítico) este que, por sua vez, já substituíra a Idade da Pedra (período neolítico). O fim da Idade do Bronze deu-se por volta de 1300 a 700 a.C., quando teve início a Idade do Ferro, material ainda mais resistente, de metalurgia mais apurada, e de jazidas mais abundantes também. Embora algumas culturas tenham passado direto do neolítico para a Idade do Bronze, ou mesmo diretamente já para a Idade do Ferro, caso da África negra.

Algumas curiosidades: antigos reis e nobres guerreiros utilizavam armas e armaduras confeccionadas em bronze, o que lhes garantiam grande superioridade perante seus inimigos. Suas pontas de lanças também utilizavam esse metal. Mas era um material caro e ainda distante dos soldados e homens comuns, que somente milênios depois tiveram acesso.

O material foi explorado quase ao limite, como escrevi em minha matéria anterior. O cobre (matéria base para o bronze) é cada vez mais escasso, pois não é um produto renovável pela natureza e nem artificialmente pelo homem. O mesmo acontece com o estanho. Aliás, tudo em nosso querido e judiado planetinha é usado até a exaustão.

Para seu desenvolvimento em técnica imitativa com a cerâmica plástica, é um processo menos complexo do que aparenta, embora com muitos detalhes indispensáveis para um bom resultado.

Nas peças que aqui apresento (todas maciças e modeladas em cerâmica plástica), inspiradas na técnica criada pela grande artista norte americana Irene Semanchuk Dean, primeiro misturei de forma sutil massa preta à dourada, até obter a tonalidade de bronze desejada. Imprimi texturas e desbastei alguns lugares para simular um desgaste natural, já que o meu objetivo era fazer peças imitando o bronze envelhecido e não o polido.

Por fim, após a queima, apliquei e derreti sobre as peças um pouco de emboss na coloração adequada, fazendo lembrar os carcomidos e azinhavrados, como se fossem antigas peças de bronze encontradas no fundo do mar, talvez resquícios de algum naufrágio. Com alguns produtos retirei a saturação da cor e os excessos dessa aplicação, finalizei com toques de pátina para escurecer algumas partes e, em outras, para dar um brilho metalizado sutil, complementando e adaptando assim a técnica original ao meu modo.

Foi uma proposta bem interessante de ser feita. Adoro brincar com tudo isso, e posso garantir que me diverti bastante durante todo esse trabalho!

Abraços,

Até a próxima matéria!

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em 2011. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em 2011.

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Quem me conhece sabe que não sou adepta de práticas ritualísticas nestas datas comemorativas de final de ano. Mas ontem, último dia de 2018, tive a grata surpresa ao visitar o blog Polymer Arts, como de costume, e nele encontrar matéria recém postada sobre dois artistas do polímero que admiro de longa data, os parceiros Steven Ford e David Forlano. Lá encontrei link para outro endereço, o Art Jewelry Forum, onde li uma antiga entrevista feita com eles em 2012. Na verdade não considero tão antiga assim, visto que a minha “relação” com o trabalho deles data de bem mais tempo do que isso.

Meu primeiro contato com o polymer clay deu-se em 1992, quando a dentista paulistana também aqui da Vila Madalena, Vera Kahn, passou a importar o produto que conheceu em viagem à Israel. Era totalmente novidade no Brasil. Também foi lá no ateliê de Vera onde conheci em mãos o belíssimo trabalho de Steven e David, através de dois porta-retratos incríveis feitos por eles, adquiridos nos EUA. Ficávamos impressionadas e curiosas com os efeitos que a técnica millefiori tão misteriosamente compunham suas peças. Nessa época não tínhamos ainda internet no Brasil (juro que hoje não sei como sobrevivíamos sem 😀 ), nem acesso a publicações importadas com referências ao material, e muito menos sobre o millefiori. Por volta de um ano e pouco depois, a filha de Vera fez uma rápida aula no ateliê desses dois artistas lá nos EUA, e na volta nos passou que o millefiori era como um rocambole fatiado, técnica parecida com a elaboração de um “sushi”, onde poderíamos criar “desenhos” variados e até dar um efeito caleidoscópico ao seccionar e unir partes de um mesmo trabalho e, ao final, reduzir até o diâmetro desejado. Tudo muito mágico e contagiante. Foi quando migrei das miniaturas em polymer clay que eu fazia e passei a desenvolver peças com  a técnica millefiori, sempre usando o mesmo material. Entender como “funcionava” a técnica foi primordial para a compreensão da complexidade e beleza dos trabalhos dos dois artistas. E essa curiosidade em experimentar levou-me depois a muitas outras técnicas com a massa.

Bons anos depois, quando Vera não importava mais o produto e estava se desfazendo do seu material, presenteou-me com um livro de autoria de Steven Ford e Leslie Dierks, publicado em 1996, e que até hoje guardo com carinho na estante onde coloco todos os meus livros de arte.

Ontem, ao ler essa antiga entrevista com eles, todos esses anos do meu trabalho com o polímero passaram como um filme nostálgico em minha cabeça. Muitos detalhes e muitos sentimentos vieram a tona ao relembrar diversas etapas da carreira que construí. Essa visita despretenciosa minha ao blog acabou, sem querer, proporcionando uma longa reflexão sobre todo esse percurso, com períodos favoráveis e outros nem tanto, mas que sempre serviram como motivação e força para transpô-los. Assim foi quando escrevi meu livro, e também quando surgiu a parceria que tenho na fabricação de nossa massa nacional, a PVClay – Polymer Clay. 

Posso então afirmar com segurança…  obrigada Vera por ter tido a iniciativa de trazer ao Brasil esse inédito produto. Obrigada David e Forlano por terem feito trabalhos tão instigantes que despertaram em mim a curiosidade indispensável para querer aprender mais, experimentar e sair do lugar comum. Obrigada Edinho Juliotti por um dia ter me telefonado, confiado e dado início à nossa parceria na PVClay. Obrigada a todos os parceiros, amigos, colegas, mestres e alunos que tive ao longo de quase 3 décadas de trabalho, com os quais sempre aprendi muito, me abrindo a inúmeras possibilidades.

Enfim, não foi uma retrospectiva de final de ano, coisa que nunca faço. Inesperadamente foi algo maior, que me fez querer desejar a todos não apenas um 2019 promissor, mas um futuro construído ao longo de todos os anos que virão, e dizer que sempre busquem inspirações que te fortaleçam para isso.

(sugiro que entrem nos links dentro do texto para saberem um pouquinho mais sobre o que escrevi)

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