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Archive for novembro \29\+00:00 2019

Desde a pré-história o homem utiliza como adorno uma resina natural muito dura, formada há 50 milhões de anos, chamada âmbar. Foi também a primeira gema utilizada por ele, onde em sítios arqueológicos foram encontrados objetos decorativos, talismãs e amuletos feitos com esse material.

É uma resina fóssil, liberada em forma de secreção por uma espécie de pinheiro que já não mais existe. Essa secreção funcionava como uma proteção natural à sua madeira, protegendo-a de ataques de pequenos insetos e bactérias. Com consistência de cera dura, pouco flexível, semi-transparente, mas podendo variar entre menor e maior escala nessa transparência, sua coloração também oscila do amarelo claro ao marrom escuro, chegando ao avermelhado, alaranjado, ou mesmo esverdeado, azulado ou branco. Em seu interior algumas bolhas de ar podem estar presentes, isso também colabora na composição e intensidade de suas cores. O âmbar é encontrado com maior freqüência na antiga Prússia Oriental, ao longo do litoral do mar Báltico. Também em menor quantidade pode ser encontrado na França, Itália, Estados Unidos, Canadá,  República Dominicana, além de alguns outros países. Ele também pode ser de mina ou de mar.

Uma de suas principais características é poder encontrar aprisionados em seu interior pequenos fósseis de insetos (mais de 1000 espécies diferentes já foram catalogadas), a maioria já extinta, e também fragmentos de flores, folhas, sementes, pelos e dentes de animais, que ficaram presos na resina ainda pegajosa, antes desta se solidificar ao perder água e ar com a ação do tempo. Até mesmo lagartos, rãs e sapos fossilizados podem ser encontrados. Muitos desses  pequenos corpos estranhos aumentam em muito o seu valor, principalmente quando de espécies mais raras ou mesmo extintas. O âmbar encontrado na República Dominicana é o que apresenta um maior número de fósseis incrustados em seu interior. 

Quando friccionado ele produz uma grande eletricidade estática, atraindo para si algumas substâncias leves, como algodão, palha, papel picado, etc. Foi através do âmbar, ainda no século VI a.C, que se observou a primeira experiência de atração eletrostática.

Quando aquecido ele produz um agradável aroma de madeira de pinho, essa é uma das formas de saber se é verdadeiro ou falso. Uma outra maneira é colocá-lo na água salinizada, onde o verdadeiro âmbar flutuará.

Algumas propriedades terapêuticas e místicas também lhe são atribuídas, como  a de absorver energia negativa do corpo ao ser colocado sobre partes em desequilíbrio ou dor. Na Europa é utilizado também para afastar o mau-olhado. No Tibet está associado ao equilíbrio interior e à busca da perfeição.

Artistas e joalheiros utilizam essa resina de grande beleza em suas criações, mas geólogos e paleontólogos são atraídos pelas riquíssimas formas de vidas pré-históricas contidas em seu interior por milhões de anos.

Mas não pense que aí termina sua importância científica. Isso é apenas o começo, já que geneticistas, biólogos, químicos, arqueólogos, botânicos e zoólogos,  encontram nesse material uma importante, rica, fascinante e interminável fonte para suas pesquisas. Até mesmo estudos para a recuperação de DNA estão sendo feitos (isso nos lembra, embora um tanto exagerado na ficção, o filme “Parque dos Dinossauros”).

Voltando ao nosso material, mais uma vez a cerâmica plástica também pode nos proporcionar resultados encantadores ao ser utilizada na busca da aparência externa desta gema. Para isso utilizamos a massa o mais translúcida possível, até mesmo mais de um tipo ou tonalidade, mas sem deixar formar uma mistura homogênea, esse efeito desigual é o que mais buscamos. Não é um processo muito complicado, podem apostar, apenas um pouco trabalhoso. Embora eu tenha encontrado formas diferentes de chegar ao falso âmbar, os resultados que mais gostei aqui apresento, onde tintas transparentes de várias tonalidades foram utilizadas no tingimento da massa. Depois, através de uma seringa com agulha, tonalidades mais escuras da tinta foram injetadas em seu interior em alguns sulcos que delicadamente abri na massa descansada, lembrando vasos capilares. Somente depois da secagem absoluta da tinta finalizei as contas e levei-as ao forno para a cura, por um tempo bem maior que o indicado, para intensificar sua transparência. O lixamento e polimento perfeito é indispensável,  como também o verniz, aplicado em diversas camadas, contribuindo para um acabamento mais vitrificado.

Espero que tenham gostado da técnica e de saberem um pouquinho mais sobre essa fascinante gema.

Abraços, e até a próxima matéria!

(autoria do texto e peças: Beatriz Cominatto)

Nota1: Matéria escrita e publicada no site Portal das Joias em 2004. Leia sobre.

Nota2: As peças foram feitas em 2004.

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